Natal Ano Zero

Sessão 01
O Homem da Praia

As crônicas de Rodolfo – Registro 01
Desde que me lembro, eu e meu Povo vivemos em um lugar apelidado pelo Ancião de A Arca, construído sob as ruínas de um antigo navio cargueiro chamado U.S.S Igapó. Um nome engraçado que os Antigos davam a essas imensas construções que singravam pelos oceanos e que hoje apenas sonhamos em imaginar como um dia funcionavam.

Nosso Pai, o Ancião, cuidou de nós e nos fez trabalharmos juntos para tornar a Arca um lugar habitável em meio a desolação da Zona. Sobrevivemos por anos comendo grude de latas com comida podre da época dele. Nós crescemos todos juntos ouvindo suas histórias  de como o mundo era antes da guerra e de como os Antigos destruíram o mundo verdejante e perfeito em que viviam. Fomos educados segundo sua maneira de viver e pensar e ensinados sobre o Éden.  "Um lugar", contava ele, "em que todas as respostas sobre o mundo seriam respondidas e a chave para a nossa sobrevivência aguardavam o nosso reencontro." E assim nasceu a lenda do Éden e da nossa salvação. Porém, um dia, tudo mudou. O Ancião ficou muito velho, falava coisas confusas e desconexas. Não havia mais quem nos liderasse. Eis que surgem os Chefões, membros do povo que controlavam gangues e assumiram o posto deixado pelo nosso Ancião. E é aqui que a nossa história começa…

Três de nós se destacaram em meio a multidão e seus nomes eram Neto, o cronista; Lima, o batedor; Necrolas, o brutamontes<u>.</u>  Ninguém imaginava que aqueles três nomes entrariam nas lendas de nosso povo naquela época, mas o que eles fizeram naquele dia iniciou uma cadeia de eventos espetaculares. Tudo começou no "Ano Zero", quando batedores e coletadores contavam histórias sobre um Homem na Praia nas proximidades da Arca.

"Ninguém sabe de onde o homem sem memória veio. Em uma manhã fria, ele surgiu jogado na praia perto da Arca com hipotermia, onde foi encontrado por catadores. Ele fala com um sotaque estranho, estrangeiro, mas consegue explicar que não se lembra quem é. Além de um macacão gasto com marcas estranhas, não há pistas de sua origem. Ele parece não ter mutações."
 

Os jovens mutantes, movidos pela curiosidade, sairam da segurança da Arca para investigar se os boatos eram verdadeiros. Atravessaram a construção da Plantação e das Defesas e caminharam pelas bordas do que sobrou do Rio Potengi até encontrarem um homem sentado numa pedra, pensativo, a beira de uma fogueira improvisada. Tentaram se comunicar e Neto, mesmo sendo cronista, quase não conseguia enteder o que ele falava pelo seu sotaque estranho. Em meio aquela confusão de palavras, descobriram que o homem tinha traços semelhantes ao Ancião, porém era muito novo e loiro, além de vestir as mesmas vestimentas que o velho pai.

Enquanto tentavam se comunicar, foram surpreendidos pela gangue de Juarez. Ao chegar perto, começou a exigir tudo o que o homem carregava consigo como sendo dele e Neto, agindo rápido e perigosamente, conseguiu puxar alguns objetos mais interessantes do homem e esconder em sua mão. Em uma disputa tensa, Neto e Juarez discutem e acabam chegando ao acordo de manter o homem com eles em troca da arma que ele carregava, uma pistola dos Antigos,um artefato raro naqueles tempos.

Quando Juarez finalmente foi embora, Neto revelou aos outros dois e ao homem o que ele escondera do Chefão. Um cartão com o nome do homem e um símbolo conhecido de todos que fica estampado nas roupas do Ancião e do desconhecido. Subitamente, o estranho fica insano com a descoberta de quem é e do que está fazendo ali e ataca seus salvadores, tentando puxar a arma de Lima. Numa briga intensa, o homem não consegue a arma e acaba fugindo deles para em seguida se matar pulando do alto de um destroço de navio na praia.



A reação do estranho deixou todos em choque e levantou vários questionamentos. Será que o Ancião falava a verdade e o Éden realmente existe? E se o Éden existir, será realmente um lugar tão bom assim para alguém vindo de lá desejar suicidar-se daquela forma? E por que Juarez queria tanto o desconhecido? Todas aquelas perguntas precisavam esperar, pois os problemas da Arca ainda não haviam acabado.

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